terça-feira, 31 de outubro de 2006

Propaganda

Há 15 dias de cama, não faço outra coisa senão ver televisão. Sem TV a cabo, tem que aguentar horas e horas de propaganda. Então fiz um top 5 aqui, e uma lista das 5 piores. Opiniões pessoais. Ordem aleatória. Estou falando só das que estão passando atualmente. Excluídas as políticas, senão as cinco piores eram do Alckmin.

Melhores:
- Coca-Cola: homem e mulher no ponto do ônibus. O cara canta musiquinha de celular, revirando a mochila. A menina olha com cara de "esse é louco". Ele acha uma coca, abre e "atende". E passa a Coca pra ela, dizendo "É pra você". É original. Cantada bonitinha.
- Havaianas: aquela do "Posso dar uma desviradinha?".
- As do IESB: tem várias. A melhor é o mané na frente do gol vazio, tentando fazer um gol bonito e errando tudo. Cai no chão, pisa na bola, fura, chuta pra fora. É constrangedor. Depois vem a chamada: "Nem todo mundo vai ser craque de futebol. Faça IESB." Tem a da bandinha de rock mandando mal. Tem as meninas tentando ser modelos. São todas ótimas.
- Petrobrás: aparece a vista mais linda de mar, e o texto vai dando opções de investimento. No final, aparece a plataforma da Petrobrás. Dá uma vontade louca de ir pra praia. Ai que saudade.
- Ford Ranger: o cara sai dirigindo e é barrado pelo peão da fazenda, na porteira. "Tudo bom?", pergunta o patrão. E o peão: "Bão bão não tá não." Só essa frase vale o comercial. Só senti falta da tomada que faltou, ou seja, a Ford passando pra cidade, mesmo sem ponte.


Piores:
- uma de um carro, acho que da Chevrolet: o cara é seguido por vários personagens de filmes e desenhos, e por uma noiva acompanhada dos pais. Todos sorriem e jogam confetes. Ele chega na frente do carro. O locutor diz "Sua vida trouxe você até aqui." Acabou. Quem entender o sentido me explica. (Palpite: o cara pulou direto da infância para a fase adulta. Por isso precisa de um bom carro, já que é um retardado. Não, não deve ser isso.)
- Antartica: aquela chatíssima do Bar da Boa.
- Kaiser: a loira não para de falar um segundo, no mesmo tom de voz, sem expressão, e no final dá um beijo pouco convincente no baixinho da Kaiser.
- Produtos da Unilever: tem várias, todas são chatas. Tem uma que minha esposa chorou, não sei se de emoção ou desgosto.
- Sol: uma cerveja nova que apareceu aí. Tem um monte de bolas voadoras, sem sentido claro. Não seria tão ruim se não fosse tão longa. Outra chata que tem bolas voadoras também é a da Claro.

A propaganda na TV aberta já teve dias melhores. Mas já teve, com certeza, dias muitíssimo piores. Agora que acabou a propaganda política, vamos ver se o tempo é preenchido de maneira interessante. Quem lembrar de outra, diz aí.
E não, não tenho mais o que fazer.


ATUALIZAÇÃO: Como é que fui me esquecer daquela ótima da Semp-Toshiba, dos 50 meses de garantia?!

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

De novo

Estou contente. Ponto. A reeleição de Lula é um sinal de amadurecimento da democracia. Simplesmente porque não elegemos um partido historicamente corrupto, não caímos na conversa de ética e blablablá. Amadurecimento. Mas não estou muito animado com os próximos quatro anos. Vamos ver se me engano.
Bom, mas quem se enganou feio foi o jornal espanhol El Mundo. Em sua edição online, eles fizeram uma matéria sobre a reeleição de Lula cheia de preconceitos e nenhum embasamento.
O pior é a matéria que tem lá sobre os dois candidatos. Lula é o pai dos pobres. O Brasil é pobre e atrasado, então vota no Lula, sem ligar para a corrupção. Alckmin é honesto. Católico. Bom administrador. Tem a preferência dos brasileiros sérios, conservadores. Sim, está tudo isso lá, leia. Mas leia mesmo. E preste atenção à definição de "chuchu" deles. É um bom indício do nível de embasamento das reportagens. Vai lá, vai.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

O óbvio ululante

A armação tucana que resultou no tal "caso do dossiê" já era tão evidente quanto o suborno ao caseiro lá no caso Palocci. Mas agora não é mais apenas evidente: é o óbvio ululante. Adivinha quem vai perder mais votos ainda, antes das eleições.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

De cama


Hoje já consegui sentar. Minha mulher comprou uma bandeja daquelas de tomar café na cama, puxei o fio da internet até aqui e finalmente vou poder postar alguma coisa. Apesar de que, com o tanto de TV a que tenho assistido, o único assunto sobre o qual posso falar é a péssima qualidade da TV aberta. Como não tenho tv a cabo, fiquei refém da programação dos nossos canais gratuitos. É realmente uma bosta. Mas, para falar a verdade, tive que mudar meu ponto de vista sobre esse aparelhinho que há muito abomino. Normalmente ignoro por completo minha tv. Só uso pra ver DVD. E reclamo quando minha esposa fica assistindo a novela. Mas nesses últimos dias, preso à cama, a tv tem sido minha grande companheira. Até que de vez em quando passa coisa boa. Mas mesmo quando não passa nada bom, mesmo quando se assiste às mesmas notícias cinquenta vezes e mesmo quando passa um seriado confuso e mal-articulado como é aquele "Reunião" do SBT, mesmo assim a tv cumpriu uma tarefa importante na minha vida, nesses dias: fazer companhia, ajudar a passar mais rápido o tempo, divertir um pouco e distrair da dor. Devo ser mais benevolente com a tv. Não vou mais ameaçar virá-la contra a parede ou colocar uma samambaia gigante em cima dela. Mas que vou pensar seriamente em assinar tv a cabo, ah, isso vou.

Há, aliás, uma bela crônica de Rubem Braga sobre isso. Não que eu goste das crônicas de Rubem Braga, mas essa é até boa. Aqui, ó (perdoem-se os vários erros de digitação do site e as questões idiotas de interpretação).

Outra novidade é que aprendi a conferir quais pesquisas no Google conduziram pessoas a este blogue, e morri de rir. Há pesquisas do tipo "Como lidar com o ciúme da sogra" ou "Como ser um professor satisfeito". Como meu blogue não oferece respostas a esssa perguntas — até agora —, passo a postar respostas (im)possíveis aqui. Então:

1) Como ser um professor satisfeito?

Professor satisfeito, no Brasil? Huahuahauhauhaua. Só há duas maneiras: mudar de profissão, como eu fiz, ou mudar de país.

2) Como lidar com o ciúme da sogra?

A melhor maneira é construir uma relação saudável desde o início, sem enfrentamentos, mas deixando claro que a vida de vocês como casal é mais importante, a partir de agora, que as relações entre pais e filhos. Não deixar que a opinião (e o dinheiro) dos sogros interfiram demais nas decisões do casal é importante. Não se deve criar atritos nem ficar disputando espaço.

Pronto. Agora este é um blogue de autoajuda. Argh, o que a televisão fez comigo? Ou terão sido os remédios?

terça-feira, 17 de outubro de 2006

E pra quem gosta de política

Dá uma espiada aqui.

Uma metáfora

Ontem estava indo dar uma aula e, num semáforo movimentado de Brasília, havia um pessoal agitando bandeiras do PT e distribuindo adesivos broches bonés sei lá mais o que do PT e do Lula. Estavam animados, sorriam e distribuíam os adesivos como se fossem promessas de um futuro melhor. Eu, como vou votar no Lula sem nenhuma empolgação, como já disse aqui, não peguei nada. Mas um carro branco que estava na minha frente (cuja placa não era de Brasília, aliás, e sim do Mato Grosso — não que isso tenha qualquer importância no que vou contar) pegou um monte. Era a família toda. Pai mãe filho filha tia cachorro. Todos pegaram adesivos e decalques e panfletos. Achei bonito, para falar a verdade. Em todas as eleições anteriores, desde que me dou por gente, agitei bandeira e enchi o peito de adesivos do PT. Senti uma certa nostalgia. Pensei, inevitavelmente, "o que foi que deu errado?".
Nisso o sinal abriu. Percorridos poucos metros, o pessoal do carro branco da frente, após colar os adesivos no peito, jogou os papéis que sobraram pela janela. Tive vontade de buzinar. Se tem uma coisa que me dá raiva na vida é ver gente jogar lixo na rua. Mais do que quem fura fila ou bate uma carteira. Já comprei briga na rua por causa disso. Uma vez estava num ponto de ônibus e um sujeito duas vezes maior que eu terminou de tomar seu refrigerante e jogou a lata no chão. Eu, vermelho, dei duas cutucadas nas costas dele e, quando o mala se virou, esbravejei "Tem uma lata de lixo bem ali, porra!". Ele ficou meio atordoado e, quando esboçou um movimento (não sei se para apanhar a lata no chão ou para voar em cima de mim), entrei no primeiro ônibus que abriu a porta. Ok, sou um covarde. Mas falei o que devia falar ao sujeito.
Mas voltando ao episódio de ontem. Pensei em buzinar e chamar de porco. Mas então percebi que o que tinha acabado de acontecer era uma metáfora. Não uma metáfora dos petistas. Nem dos mato-grossenses. Já vi todo o tipo de gente jogar lixo no chão. Amigos meus, bem-educados, de boas famílias, jogam lixo na rua. Já me apaixonei por meninas que jogavam lixo na rua. As ruas vivem cheias de lixo, o que comprova que quase todo mundo joga lixo na rua. Impunemente. Há poucos dias vi uma mulher, numa camionete de luxo, jogando uma bola de papel, não só na rua, mas tentando acertar o motorista de outro carro, provavelmente por alguma fechada anterior. No vidro de trás da camionete havia um decalque do PSDB.
Aquela cena de ontem, então, era uma metáfora do brasileiro. O brasileiro é um povo que vota no Lula (ou no Alckmin ou em qualquer um deles) depois joga lixo na rua. Reclama de corrupção no governo e joga lixo na rua. Enche o peito de adesivos, com esperança de dias melhores, depois joga lixo na rua.
Aí, meus caros, não adianta nada. Diz o ditado que cada povo tem o governo que merece. Um povo que joga lixo na rua merece políticos sujos.



Bom, por falar em sujeira, leiam este ótimo texto do Mauro Santayana no JB.

segunda-feira, 9 de outubro de 2006

Do PPS para o além.

"Covas deve estar se removendo (sic) na cova."
Denise Frossard, candidata do PPS ao governo do Rio, comentando o debate de ontem.

Hã? Hã? Entendeu?

Picadinho de Chuchu

Não vou dizer quem eu acho que venceu o debate entre os presidenciáveis. Até porque não o vi todo. Quando percebi que, dos dois candidatos, o mais idiota era eu, fui tomar um açaí. Vou votar no Lula, porque é inadmissível o PSDB voltar à Presidência, apesar de a coligação PSDB-PFL já ter dividido com o PMDB a maior parte do Poder que realmente importa, que é o Legislativo. Vou votar no Lula, como dizia, então não preciso ver debate. É burrice. Como é burrice acreditar no Picolé de Chuchu, que aliás tentou parecer macho, mas ficou parecendo a Heloísa Helena: histérica. "Respeito, respeito", gritava ele enquanto Lula pedia que não fosse leviano. Respeito não se pede. Ou o cara tem ou não tem. Eu me respeito, apesar de conhecer todos os meus defeitos (e estar descobrindo mais um monte, agora que estou fazendo análise). Por isso desliguei a TV e fui tomar um açaí. Quem gosta mesmo de política lê jornal (vários, e revistas) todo dia, e não vê debate. Se, enquanto era atacado, o Lula se babou todo com a água ou se desviou das regras de concordância, isso não muda nada, não é sinal de nada, nem dá maior credibilidade aos tucanos.
Não gostei do governo do PT, e já disse outras vezes que não gosto do Lula. Mas tenho esperança de que os erros cometidos nesses quase quatro anos servirão para que, num segundo mandato, o PT possa fazer um trabalho melhor. Sim, é só uma esperança. Mas prefiro ser otimista a ser burro.

Bom, na verdade só queria dar um linque para o suposto blogue do Chuchu. Engraçadíssimo: http://www.gerentechuchu.blogspot.com/

Até!

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Segundo turno

Achei um saco ter segundo turno. Apesar de ter votado no Cristóvam. Já se definiu nosso Senado, a Câmara e as Assembleias estaduais. Temos, num mesmo Senado, ACM, Roriz e — crème de la crème — Fernando Collor de Mello. É sensacional. E se você corre para a Câmara dos Deputados, tromba com o Clodovil (o quê?!), ou com o Paulo Maluf, ou com Eneas (todos eleitos por São Paulo; mas os brasilienses afundados no reinado de Roriz não podem falar nada dos paulistas). É trágico. Seremos governados por quem? por quem? Por Arruda. Aquele do painel, lembra? Ah, não lembra. Tudo bem, acho que ninguém lembrou. Das outras pilantragens, então, melhor nem comentar. Faz tanto tempo...
Não me interessa mais quem vai ser o presidente. Com um Congresso desses, nem se eu o fosse. Por isso queria que não houvesse segundo turno, aí já definia logo, a gente podia começar a meter o pau mais cedo. Ou falar de outra coisa. Aliás, falemos de outras coisas. Vejo o Jô Soares entrevistar, neste exato instante, a mãe de um gay. Melhor: uma mulher que fundou uma associação de mães de gays. Deve ser um papel difícil, mesmo. Precisam trocar experiências. Precisam aprender a lidar com os filhos e — pior — com os genros. Sogra de gay deve ter menos ciúme, afinal. Mãe entende tudo. Mãe quer o melhor para o filho. O maior ciúme da sogra do gay deve ser contra a mãe dele. Elas disputam quem é a mais liberal, quem aceita melhor a relação dos filhos. Visitam o casal duas tardes por semana, levam bolo, dizem que a casa está uma bagunça, que falta uma mulher lá. E rolam pelo chão, arrancando os cabelos uma da outra, ao discutirem quem é o mais bonito.
Estou falando coisas desconexas. Assistir à propaganda eleitoral fritou meus neurônios. Até o fim do segundo turno serei incapaz de elaborar uma frase inteira. Li o livro Duas vezes junho, que o Clube de Leituras do Idelber analisou, e não entendi o final. Só depois de ler as análises que eles tinham feito, aí é que fui reler e entendi. Quer dizer, acho que entendi. Ainda não entendi o título do último capítulo, mas fiquei constrangido de perguntar. Esse pessoal é inteligente. Eles não devem ter assistido ao horário eleitoral.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Por que fui abrir minha boca grande?

Reclamei que estava à toa demais, apareceu-me um monte de coisas pra fazer e resolver. Bom, no fim das contas.
Como resultado, já fiz outro conto. Está bem aqui, ó.

Assisti, finalmente, ao Capote. Gostei, como já esperava. Depois comento, que agora vou dormir.

quinta-feira, 7 de setembro de 2006

Atualizando

Ok, sei que não tenho atualizado este blogue com a frequência ideal, por assim dizer. Não vou alegar falta de tempo como desculpa. Na verdade, o problema é que estou com tempo demais. É. Quando tenho pouca coisa pra fazer, não consigo me organizar e acabo aproveitando muito mal o tempo que tenho. Pelo que já conversei com algumas pessoas, não é um problema exclusivamente meu. Mas é um problema meu, e preciso resolvê-lo, não só pelo risco de perder os raros visitantes desta casa. É uma questão de vida ou morte. Ficar à toa mofa. Dá bolor. Tempo mal aproveitado deve ser o maior dos pecados. O mundo exige eficiência, produtividade, rapidez, criatividade, dedicação. Ou, no mínimo, vergonha de ser um vagabundo improdutivo.
Quando se tem tempo demais, não se consegue estabelecer metas. Falta estratégia. Falta um objetivo. Acorda-se tarde.
Eu só produzo se tiver quatro mil coisas para fazer simultaneamente.
Por isso vou arrumar o que fazer. Estabelecer metas, planejar um cronograma, montar um horário. Estudar, praticar esportes, organizar a casa, fazer hora extra, dar umas aulinhas, ler mais. E escrever, escrever, escrever.
É só decidir por onde começar. Mas hoje não, que é feriado. E amanhã é sexta, todo o mundo vai enforcar, depois tem o fim de semana, que me dá a maior pregui...
Mas semana que vem eu começo.
Ou na outra, quem sabe...

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Domingo

Saldo da viagem que fizemos a Pirenópolis nesse domingo:

- 1 pneu furado;
- 2 carros suspensos no macaco;
- 1 protetor de cárter (trata-se de um pedaço do fundo do carro) estragado;
- uns 80 km de terra, contando os caminhos errados;
- 10 porteiras abertas gentilmente pela Maggy.
- 2 carros imundos;
- 30 cm de raio (deve ser mais ou menos este o tamanho da tal da Lagoa Azul, que rodamos duas horas pra achar);
- 48 reais de entrada;
- fome, muita fome;
- 1 pé machucado na beira da (imensa) Lagoa;
- 400 dB (aprox) de funk na orelha;
- 2 ou 3 pulos n'água;
- 57 picadas de mosquito;
- 1 domingo desperdiçado;
- 1 almoço (às 4 da tarde, depois de achar o caminho de volta para Pirenópolis) no restaurante da Tia Nena, única parte boa.
- 2 colheres de sal de frutas para cada um.


= Fiasco (quase) completo.

Só compensou o almoço na Tia Nena, que, aliás, recomendo a todos. Mas não a Lagoa Azul.

sexta-feira, 11 de agosto de 2006

domingo, 6 de agosto de 2006

De minha autoria

Passo de agora em diante a publicar lá no De minha autoria uns poemas que tenho. Há alguns contos que estou finalizando, mas de vez em quando a história empaca e preciso deixá-la de molho uns dias (às vezes uns meses).
Até!

segunda-feira, 24 de julho de 2006

Música

Oba! Já que não estou sozinho falando com o template, falemos um pouquinho de música. Estou neste exato momento ouvindo Unplugged, do Gilberto Gil. É certamente um dos melhores discos da nossa MPB. Não que eu seja um fã incondicional do Gil. Apesar de gostar bastante, não está entre meus, digamos, três ou quatro artistas preferidos. Mas este disco, ah, este disco me transporta pra qualquer outro lugar melhor que aqui. Adoro quase todas as músicas (não gosto, por exemplo, de "Refazenda"; acho muito psicodélica pro meu gosto), adoro os arranjos, acho ótimos (mesmo!) os comentários que ele faz entre uma música e outra, os músicos são excelentes. É um disco e tanto.
Outro disco da MPB que tenho ouvido com bastante carinho é o novo do Chico, Carioca. Não é do jeito que eu esperava que fosse o próximo disco do Chico. Ele tem trabalhado com letras longas, as músicas quase não têm refrão, muito jogo de palavras (coisa que eu na verdade às vezes não gosto), uma instrumentação muito refinada, harmonias estranhas e belas. Talvez influenciado pelo estilo que ele adotou ao escrever o excelente livro Budapeste. Carioca é um disco que me surpreendeu. Duas coisas principalmente: a música "Bolero Blues", que é do contrabaixista Jorge Helder, um músico brasiliense fantástico que há muito acompanha o Chico. A composição é lindíssima, toda atravessada, dissonante, e o Chico fez uma excelente interpretação dela. A outra ótima surpresa foi ele ter gravado a música "Leve", de sua autoria, a qual ele compôs para uma peça de teatro e nunca gravou. Conheci-a na belíssima voz de Carol Saboia, no Songbook do Chico. E, aliás, gosto tanto da gravação dela que ainda a prefiro. Duas músicas não me agradaram muito: "Outros sonhos", que, apesar de bonitinha, é meio cópia da ideia de outra música (esta, fantástica) do Chico, "Sonhos sonhos são", do disco As cidades (aliás maravilhoso). Outra é "Ode aos ratos", que um monte de gente gostou, mas eu não.

Esses são dois discos, afinal, um velho outro novo, que marcam muito positivamente a história da nossa música. E quem vier me dizer que moderna MPB é Ana Carolina e Seu Jorge, por favor vá catar coquinho.

E pra falar mal de alguma coisa, ontem tive o divertido desgosto de assistir à última filmagem de King Kong. É uma merda, é muito ruim, é ridículo. Aquela cena da loirinha dançando pra aplacar a fúria do macacão, ou aquela deles abraçados (?) olhando o pôr do sol são simplesmente imbecis, como o filme todo, aliás. Uma mistura de tudo de ruim que há em Titanic e Parque dos Dinossauros. Quem não viu, nem perca seu tempo. Vá ouvir Gil ou Chico.

Até.

sexta-feira, 21 de julho de 2006

E falando em futebol...

Leiam este ótimo texto de Demetrio Magnoli, transcrito pelo Milton no Bombordo.

...

Ôu, é impressão minha ou isso aqui anda meio às moscas? Alô? Estou falando sozinho? Alguém leu o texto sobre as escolas do DF? Leiam, comentem. Serve pra quem não mora nem estuda no DF também...
Ou só serve post "engraçadinho"?

Alô?
...

quinta-feira, 20 de julho de 2006

Agora o Idelber apelou

Pra mim, que considero ter uma noção bastante superficial dos conflitos que envolvem Israel, este me parece um dos poucos textos que tratam do assunto de modo menos clichê. Mas que fiquei me sentindo meio enjoado, fiquei... E já que o Idelber não quis comentários por lá, podemos comentar alguma coisa por aqui.

sábado, 15 de julho de 2006

Ainda Zidane

Carái: depois de ver este vídeo com algumas chacinas promovidas pelo zagueiro italiano Materazzi, fiquei mais fã ainda do Zidane. Mesmo que não tivesse dito nada ao craque, o carniceiro já merecia mais que uma cabeçada no peito.
Bom, e o assunto é mesmo o Zizou. O Idelber escreveu um ótimo texto sobre a famigerada cabeçada, e também já lincou um outro texto que eu queria lincar. Mesmo pra quem não gosta de futebol ou não entende nada a respeito, vale a pena ler.
Aliás, o blogue do Idelber fez uma excelente cobertura da Copa, apesar de ter mandado a bola pra fora em TODAS as previsões que fez. Acontece nos melhores blogues.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

Falando sério agora

Já que o último post não acrescenta nada à humanidade, decidi postar um texto meu escrito no ano passado. É sobre escola, e este é um tema sobre o qual tenho refletido desde que iniciei minha carreira de professor insatisfeito. Porque há duas carreiras: professor satisfeito e professor insatisfeito. Estou no segundo grupo há seis anos, e por isso decidi parar de dar aula por um tempo. Faça-se a ressalva de que a escola em que trabalhei nos últimos dois anos tem buscado mudar alguns dos pontos que critico no texto, mas longe longe longe de fazer de mim um professor satisfeito. Não é culpa dela, como não é culpa de nenhuma escola da rede privada. Mas vai o texto, então:


A crise no ensino particular em Brasília


Não é só o ensino público que tem perdido qualidade nos últimos anos, no Distrito Federal. O ensino particular passa por uma grave crise, que não é recente e que já foi diagnosticada por diversos educadores, sem que medidas tenham sido efetivamente tomadas. Três fatores podem ser discutidos como causas dessa crise: a redução da autonomia do professor; a valorização das matérias da área de Exatas; e o resultado desproporcionalmente vantajoso das instituições particulares nos vestibulares.

O aluno da escola privada é hoje tratado como um cliente, que precisa ser agradado, satisfeito, priorizado. O professor, na maioria das escolas do DF, perde fácil qualquer disputa com um aluno. Isso caracteriza um problema, na medida em que o trabalho do educador fica limitado àquilo que o aluno acha melhor. O nível de seriedade em sala, de aprofundamento dos conteúdos, de rigor disciplinar e de exigência nas provas é ditado pelo aluno e pela coordenação pedagógica, e não pelo professor. As escolas estão interessadas em não perder o cliente, mesmo que isso custe contestar a autoridade do professor, ou até alterar notas de alunos desinteressados e incompetentes, para evitar reprovação, o que reforça, para essas crianças e adolescentes, diversos comportamentos inadequados.

Outra questão é a valorização das disciplinas de Exatas: mesmo que o Vestibular da Universidade de Brasília tenha mudado a proposta para uma prova mais conceitual, contextualizada e interpretativa, o nível de dificuldade das provas de Matemática e Física (principalmente) é muito mais elevado que o das provas de História, Geografia, Artes ou Português, para não falar da prova de Redação, que exige apenas que o aluno obtenha em torno de 20% da pontuação máxima para ser aprovado. A priorização do ensino de matérias das Exatas é uma decorrência da reforma educacional promovida pelo regime militar e, ao invés de ser contestada após o processo de redemocratização, foi amplamente reforçada. Os alunos da rede particular saem do ensino médio sem conhecer a história do país, sem entender de política, com apenas algumas noções dos conflitos mundiais, sem entender de arte, sem conhecer a literatura brasileira, lendo mal e, sobretudo, sem saber escrever um texto coerente ou se expressar oralmente, numa situação de formalidade.

O obstáculo, na verdade, do ensino particular é o ensino público: o modelo adotado pela rede pública é o mesmo de sempre, desde quando a educação era restrita apenas às classes mais altas. As escolas públicas continuam enfatizando um modelo de ensino voltado à assimilação de uma quantidade estúpida de conteúdo; um modelo que avalia o aluno pelas notas obtidas (e quando não o faz, aprova por condescendência, como nas instituições particulares), um modelo em que o aluno, até os quase 18 anos de idade, não é estimulado a pesquisar nem a fazer escolhas quanto ao conteúdo que prefere estudar com profundidade, visto que o interesse de todos é a aprovação no Vestibular. No entanto, as escolas particulares têm obtido muito mais sucesso no seguimento desse modelo do que as instituições públicas, aprovando muito mais alunos no concurso para a universidade e provando a toda a sociedade que o ensino público está falido e que o privado é a melhor solução. Em suma, a sociedade acredita que o aluno deve passar pelo menos onze anos da sua vida dentro de uma escola só para ser aprovado no Vestibular, e que a melhor escola para isso é a particular.

O problema educacional brasileiro não é de investimento, mas de paradigmas, e as escolas privadas do DF têm reforçado os erros do modelo. A mudança não vai começar por elas, porque são empresas e precisam buscar mesmo é liquidez. A mudança começará pela universidade, que precisa assumir a responsabilidade de propor um sistema de avaliação que enfrente os problemas atuais. Trata-se de uma avaliação menos objetiva, menos mecânica, que induza as escolas a valorizar mais a pesquisa do que a decoração de conteúdos, mais a formação humanística do que a aplicação automática de fórmulas, mais o educador do que o cliente. Duas podem ser as principais consequências da mudança na forma de avaliação para ingresso na universidade: a melhora na capacidade de aprendizagem dos novos universitários e, mais importante que isso, a diminuição do abismo que favorece o ingresso de alunos da rede privada no ensino superior, em detrimento dos estudantes da rede pública.