impressões sobre literatura, cinema, pintura, teatro, música, futebol, economia, história, política, sociedade, educação, gramática, internet, autores, artistas, leitores, alunos, casamento, ecologia, terrorismo, palavras, palavras, palavras.
sexta-feira, 29 de dezembro de 2006
Capitulação
Bom, este blogue, bem como meus outros dois, entram de férias hoje. Voltamos lá pro dia 10 de janeiro. Vai lendo os arquivos, enquanto isso. Abraços e bom ano novo a todos.
terça-feira, 26 de dezembro de 2006
Christmas resistance
Eu, particularmente, odeio Papai Noel, não faço questão (embora goste) de ganhar milhares de presentes, nem me sinto mais solidário em dezembro. Mas adoro o Natal. Não apenas pelo motivo maior, que é o fato de celebrar com grande alegria o nascimento de Jesus. Creio que, mesmo que não fosse cristão, não resistiria a comemorar o nascimento de um homem que dedicou sua vida a ensinar as pessoas a amar, abrir mão de seu egoísmo, não falar mal dos outros e não usar de violência em hipótese alguma.
Ademais, o Natal é um pretexto irrecusável para encontrar pessoas a quem amamos, ou, no mínimo, que deveríamos aprender a amar. As famílias brigam, é verdade. Até a minha. As melhores de Londres também. Mas isso é natural, as pessoas podem aprender com isso e crescer.
É fato que a data é usada com grande apelo comercial. Não há, porém, maiores problemas com isso. É bom que o comércio lucre com o Natal. Aumenta o PIB. Emprega-se um monte de gente. Empresários e funcionários ficam felizes (clientes também, com as promoções). Todo o mundo sai ganhando no Natal. Tá bom, tá bom, nem sempre é simples assim. Na verdade, o comércio conseguiu distorcer completamente o sentido do Natal. A figura odiosa do Papai Noel tira o foco da pessoa central dessa data. A questão dos presentes às vezes gera ressentimentos entre familiares. E mais um monte de coisa, enfim.
Mas eu adoro o Natal. Principalmente o dia 25, em que não há mais aquela formalidade da noite de natal, já se abriram os presentes, quem tinha que acertar contas com um parente já o fez e está todo o mundo mais à vontade, de bermuda e chinelo, comendo peru-chester-pernil, já acabaram as passas (eu odeio passas) e quem tinha ficado estressado preparando a festa já está mais tranquilo também.
Eu fico igual a uma criança, no Natal. Que nem pinto no lixo. Este ano ainda ganhei um livro de contos do Cortázar, em espanhol, e outro de contos alemães (em português, ainda bem). Uma beleza, uma beleza. Se todo o mundo ganhasse livros no Natal, não ficavam perdendo tempo fazendo campanha contra o Natal.
OBS: Se você é metido a professor de português e estranhou o meu "ouve-se pessoas dizerem", lá no início, esclareço que parece errado mas está certo. Depois eu explico direito lá no A Letra mata, que agora estou com preguiça.
sábado, 16 de dezembro de 2006
Millôr
(Coluna de Millôr Fernandes, numa edição recente da VEJA.)
L.I.V.R.O.
Existe entre nós, muito utilizado, mas que vem perdendo prestígio por falta de propaganda dirigida, e comentários cultos, embora seja superior a qualquer outro meio de divulgação, educação e divertimento, um revolucionário conceito de tecnologia de informação.
Chama-se de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas – L.I.V.R.O.
L.I.V.R.O. que, em sua forma atual, vem sendo utilizado há mais de quinhentos anos, representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, nem pilhas. Não necessita ser conectado a nada, ligado a coisa alguma. É tão fácil de usar que qualquer criança pode operá-lo. Basta abri-lo!
Cada L.I.V.R.O. é formado por uma sequência de folhas numeradas, feitas de papel (atualmente reciclável), que podem armazenar milhares, e até milhões, de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantém permanentemente em sequência correta. Com recurso do TPO – Tecnologia do Papel Opaco – os fabricantes de L.I.V.R.O.S podem usar as duas faces (páginas) da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os custos à metade!
Especialistas dividem-se quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para fazer L.I.V.R.O.S com mais informações, basta usar mais folhas. Isso porém os torna mais grossos e mais difíceis de ser transportados, atraindo críticas dos adeptos da portabilidade do sistema, visivelmente influenciados pela nanoestupidez.
Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, no próprio cérebro, sem qualquer formatação especial. Lembramos apenas que, quanto maior e mais complexa a informação a ser absorvida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário.
Vantagem imbatível do aparelho é que, quando em uso, um simples movimento de dedo permite acesso instantâneo à próxima página. E a leitura do L.I.V.R.O. pode ser retomada a qualquer momento, bastando abri-lo. Nunca apresenta "ERRO FATAL DE SENHA", nem precisa ser reinicializado. Só fica estragado ou até mesmo inutilizável quando atingido por líquido. Caso caia no mar, por exemplo. Acontecimento raríssimo, que só acontece em caso de naufrágio.
O comando adicional moderno chamado ÍNDICE REMISSIVO, muito ajudado em sua confecção pelos computadores (L.I.V.R.O. se utiliza de toda tecnologia adicional), permite acessar qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder na busca com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda já vem com esse FOFO (softer) instalado.
Um acessório opcional, o marcador de páginas, permite também que você acesse o L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização, mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total, permitindo que funcionem em qualquer modelo ou tipo de L.I.V.R.O. sem necessidade de configuração. Todo L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de página, caso o usuário deseje manter selecionados múltiplos trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com a metade do número de páginas do L.I.V.R.O.
Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O., por meio de anotações em suas margens. Para isso, deve-se utilizar um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada – L.A.P.I.S.
Elegante, durável e barato, L.I.V.R.O. vem sendo apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro, como já foi de todo o passado ocidental. São milhões de títulos e formas que anualmente programadores (editores) põem à disposição do público utilizando essa plataforma.
E, uma característica de suprema importância: L.I.V.R.O. não enguiça!
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
É bom ou ruim? *
Um livro é um grande livro não pela história que conta, mas por elementos que vão muito além do que uma leitura desatenta possa revelar. Não é porque se lê um livro num só fôlego, sem se conseguir largar, que ele é um grande livro. Na verdade, os livros que mais me marcaram foram aqueles que passei meses lendo, ainda que curtos. Não é porque o livro é fácil de ler, ou porque o leitor se identifica com o personagem, que ele é bom. Quando aprecio um livro, buscando responder à pergunta “É bom?”, costumo levar em conta as seguintes características:
Linguagem:
Este é, certamente, o elemento mais importante a ser observado num texto literário. A elaboração formal, a coerência entre a linguagem e o estilo (ressalte-se que linguagem e estilo não são a mesma coisa), a concisão necessária ou a construção intencionalmente perifrástica, prolixa; enfim, esse é o elemento básico da construção de um bom livro. Por isso muitos livros perdem completamente o interesse quando (mal) traduzidos. O contrário também é válido.
Referências:
Não que um bom livro tenha de se encher de citações. Ao contrário, elas costumam deixar o texto pedante. Mas é sempre um índice de criatividade formal a menção, tácita ou evidente, a outra obra ou autor. Para o meu gosto, quanto mais discreta for a referência, melhor; mas essa é uma idiossincrasia. O fato é que uma construção propositalmente ambígua, que estabeleça intertextualidade, ou o recurso à paráfrase e à paródia enriquecem o texto. É desnecessário dizer — mas o digo — que o efeito causado depende da sensibilidade do escritor e, evidentemente, da bagagem de leitura do leitor.
Ponto de vista:
Toda história é contada a partir de um ponto de vista. Mesmo que o narrador seja de terceira pessoa e onisciente. Ele adota um ponto de vista. Se isso não estiver claro, o texto é ruim. Simples assim. Esse ponto de vista pode ser o de um personagem do texto, ou de vários, mas pode ser algo mais, digamos, distanciado. Mas não impessoal. O narrador pode ter um ponto de vista irônico, lamurioso, heroico (como nas epopeias). E esse ponto de vista, é desnecessário dizer (mas digo, mas digo), precisa de coerência. Esse é o aspecto em que muitos livros se enfraquecem. Subitamente, o narrador solta um comentário, ou um adjetivo, enfim, que faz o leitor se perguntar: quem teria dito isso? Ponto negativo para o livro.
Verossimilhança:
Corresponder a história à realidade estrita não é exatamente uma obrigação do ficcionista. Mas é necessária uma coerência interna. A história deve ser crível dentro do próprio universo que ela cria. Excetuam-se, evidentemente, os possíveis jogos a que autores podem recorrer, criando situações notoriamente incoerentes. Contudo, mesmo aí, deve haver uma intenção, normalmente de comismo. Se o autor, a sério ou sem o perceber, cria situações ou personagens que não correspondem aos parâmetros da realidade ou às características ficcionais do próprio enredo, o livro perde em qualidade. Aqui, aliás, escorrega a maioria dos best-sellers da atualidade. Histórias mirabolantes, encontros inesperados e personagens traiçoeiros são ingredientes que, quando bem-empregados, rendem interesse à obra. Quando bem. E, portanto, raramente.
Há outros critérios, mais sutis, como a consideração do contexto histórico de produção do livro. Mas quero dedicar-me a rebater alguns que, definitivamente, não garantem valor a uma obra. Por exemplo, a tal originalidade. Ora, se se tomar essa palavra em sentido estrito, a última vez que se pôde falar em originalidade em Arte foi na, sei lá, Grécia Antiga? O fato é que não há muito o que escrever que não tenha sido escrito já. Nada, na verdade. Outra ideia boba é que um livro é bom se o enredo é intrigante. Disso já falamos no início. Qual é a história do livro? Esta é uma pergunta inútil. Temas banais fazem grandes obras. Depende de outros critérios. Outro elemento que pode servir de valoração é o engajamento. Ora, uma obra defender uma determinada pregação, explicitamente, pode ter efeito positivo no âmbito da sua repercussão, e até no significado histórico desse trabalho. Mas raramente um texto com a intenção primeira de transformar o mundo resulta num grande livro.
Para não ficarmos só na teoria, podemos enumerar alguns exemplos do que foi dito. Machado de Assis escreveu uma das obras capitais da literatura brasileira, aclamada mundialmente, a partir do tema da traição. Nada mais manjado, certo? Errado, porque o trunfo do nosso escritor não foi o tema, mas um conjunto de opções formais que fizeram de Dom Casmurro o que ele é. Primeiramente, a linguagem. A prosa machadiana flui, é agradável, encanta apenas pela própria beleza das imagens, das palavras, dos contrastes entre termos muito próximos, que geram efeitos estéticos que, numa leitura de fruição, muitas vezes nem decodificamos, mas são captados. Outro ingrediente marcante é o ponto de vista adotado. A história de Bentinho ganha interesse adicional porque é contada sob seu próprio ponto de vista, mas não o do mesmo Bentinho personagem, pois D. Casmurro já está velho quando narra a história. Essa escolha, evidentemente, afeta muito o enredo. O leitor é conduzido, na trama, por um narrador velho, desmemoriado e tendencioso. Quem fica perdendo tempo discutindo se Capitu o traiu ou não, na verdade, não percebeu o jogo proposto pelo escritor. Como vamos acreditar no que D. Casmurro nos diz, se o objetivo dele ao escrever a obra é justamente buscar, numa memória fraca e arrependida, motivos para justificar sua desconfiança e suas atitudes contra Capitu? Uma historinha de amor e ciúme: mas um grande livro.
Outro autor de que gosto muito é o português José Saramago. Muita gente o critica pelo conteúdo às vezes ingenuamente idealista de seus textos. Críticas bobas ao capitalismo etc. Mas, veja-se, Saramago não me parece preocupado em apregoar o socialismo em seus textos, e sim em escrever frases belíssimas e construir personagens extremamente interessantes. O que ele faz, aliás, como poucos escritores. No texto de Saramago, encontramos uma mistura frequente — e muito gostosa — da linguagem informal, dos ditados populares, das expressões familiares, com uma sintaxe complexa, rica e bem-amarrada. Ou uma mistura de personagens simples e cotidianos com emoções profundas e difíceis de compreender, porquanto extremamente humanas. Tome-se, como exemplo, o romance Memorial do convento, que muita gente não consegue ler até a décima página, outros acham o melhor livro do mundo. Eu estou mais perto do segundo grupo. É um grande livro, principalmente se analisado do ponto de vista da beleza da linguagem. Memorial do convento me parece um grande poema, uma ópera, uma epopeia. As frases, as imagens, os diálogos, toda a estruturação linguística do texto é de um grau de elaboração formidável. Por isso é um livro difícil de ler, posto que belo. Vencida a barreira do estranhamento da linguagem, lê-se ele com os olhos úmidos. Além do primor formal, Saramago nos apresenta personagens com densa caracterização psicológica, além de descrições espaciais que, ainda que longas — às vezes muito longas —, são tão ricas e nítidas, que transportam o leitor para o meio da Península Ibérica medieval.
Há autores que se destacam pela maneira como rompem drasticamente a estrutura padrão de um texto. Dependendo do grau de intencionalidade dessas rupturas, podemos ter um grande livro. Quando penso em um autor que, de modo magistral, tenha feito essa inovação formal, o primeiro nome que me lembra é o de Jorge Luis Borges. Criatividade temática e formal, aliada a um incomparável domínio da língua e seus recursos, eis os trunfos desse autor. Em Borges, na verdade, encontramos uma tal quantidade de recursos, que se torna impossível (ou desinteressante) falar dele sem ler um texto concreto. Mais adiante, se interessar, podemos ler e analisar um dos contos dele por aqui.
Dados os exemplos, fica a dica: a leitura de um livro não é mera distração; pressupõe análise, avaliação, critérios razoavelmente bem-definidos. Se não, continuaremos comprando como best-sellers uma quantidade enorme de livros que não passam de ficção.
(*) Texto originalmente publicado no A Letra mata.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2006
Resultado!
Qualquer dia desses volto a escrever por aqui, atendendo aos inúmeros fãs que deixaram sua opinião na enquete.
quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Quase desistindo
Por isso, antes de apertar o comando "Excluir este blog", vou fazer uma enquete (sempre quis fazer uma!) para saber a opinião dos meus digníssimos dois ou três leitores. O primeiro que votar leva o caneco, já que eu não vou ter paciência de esperar o segundo. E não me comprometo a fazer o que a enquete apontar. Isso aqui não é uma democracia, é um blogue. Ao menos, por enquanto. Segue então a enquete.
sábado, 11 de novembro de 2006
Linkagem
- Esta menina aqui tem uns textos belíssimos. Para quem gosta de emoções fortes. Pena que já está há um tempão sem escrever, mas vá lá lendo os antigos.
- Pouca gente tem lido meus textos literários ali no De minha autoria. Acho que não está agradando muito. Devo tirá-los do ar em breve, então.
- Rodrigo de Lemos não compreende os tempos modernos. E com razão.
- Este conto da Nico (ou Ieda) ficou muito bom!
- O melhor título de post sobre o projeto de lei idiota do Eduardo Azeredo. O post está bom também.
- E a melhor caricatura sobre o mesmo projeto.
- Aqui. Bons textos sobre o Cristianismo. Mensalmente atualizado, mas com densidade para um ano.
- e, por fim, este ótimo blogue aqui, ó. Visite e comente, para dar uma força ao blogueiro que está pensando em desistir dessa merda de blogue e ir brincar no Orkut. Se achar que demorou, diga na cara.
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
Ao Mirante, Nelson
segunda-feira, 6 de novembro de 2006
"O marco Saddam da História"
"Saddam Hussein foi condenado à morte.
Sou contra a pena de morte, por posição filosófica e moral. Filosófica: que direito temos de nos arrogar um direito definitivo sobre a vida alheia? Moral: o que dizer dos erros da justiça? (o que não é, certamente, o caso de Saddam).
Compreendo a euforia das antigas vítimas do ditador. Entendo o argumento “antes morto que herói da resistência”. Assim como seu contrário: “atenção para não criar um mártir”. Embora os terroristas sunitas não precisem dele vivo para massacrar. Tampouco morto, porém. (Os terroristas xiitas e a Al-Qaeda, esse é outro assunto.)
É mais provável que venha a paz, com ele morto? Ninguém fala disso. Ele cometeu os piores crimes? De fato, tirando os campos de concentração sérvios, Ruanda e Darfour, não vejo por que recusar-lhe essa (des)honra.
Saddam eternizado? Não, obrigado.
Saddam pendurado? Melhor não.
Como tudo demonstra, Saddam desafia a lógica e a História. Uma singularidade da História moderna, assim como Hitler, Stalin, Pol Pot e alguns outros. Uma singularidade que torna inoperantes nossas opiniões, nossa reflexão, nossos valores. Como o Dia D, Hiroshima e Nagasaki, Auschwitz, também (*).
Só resta agora o que escolherem alguns homens.
Para o bem ou para o mal.
(* que não me venha nenhum imbecil dizer que pus tudo isso no mesmo nível moral: não é o caso. Apenas do ponto de vista da ruptura da nossa capacidade de pensar sobre o fato.)"
quinta-feira, 2 de novembro de 2006
Luta de classes
"A Polícia Civil de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, prendeu na manhã desta quarta-feira Solange Ferreira Santos, 44, acusada de ter ateado fogo em uma aposentada na porta de um banco. Gessi Peixoto Gomes, 71, teve ao menos 60% de seu corpo queimado. Segundo a polícia, a acusada se revoltou porque não conseguiu receber a pensão no banco. Ela comprou gasolina, voltou à porta da agência e ateou fogo na aposentada." (Folha Online)
"O mesmo aconteceu no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro e em vários aeroportos do país. Em Cumbica, policiais federais impediram um grupo que ameaçava agredir um piloto. Passageiros também tentaram subir nos balcões das empresas irritados porque, além dos atrasos, eles não poderiam desistir de voltar para casa, já que suas malas já haviam sido recolhidas." (CorreioWeb)
Mas todos os dias, pelo menos umas cem vezes, ouve-se falar nas filas e atrasos nos aeroportos do Brasil. Um absurdo um cara ter que esperar duas horas, veja bem, DUAS HORAS, para ir passar uns dias à beira da praia. Há pelo menos um repórter em cada aeroporto do Brasil cobrindo a tragédia e o caos. Até mesmo um ladrão foi preso e flagrado roubando os coitados que, além de terem seu voo cancelado, ainda estão sujeitos à criminalidade que campeia nos aeroportos desse país.
Confesso que estou com vontade de sair disparando clichês por aqui: isto é um absurdo; é por isso que o país não vai pra frente; a mídia só atende aos interesses da classe dominante; o povo não tem vez nem voz etc.
Mas o que me chamou atenção nessas duas notícias aí de cima, uma do Correioweb outra da Folha Online, foi a reação dos respectivos prejudicados. Vejam que é a mesma: atacar quem não tem nada a ver com o problema, transformar a ira em agressão, demonstrar que a irracionalidade não se limita a uma ou outra classe social.
A diferença, é claro, estará no julgamento que os jornais e a sociedade farão dos respectivos atos de violência. A mulher que ateou fogo na outra é uma louca desvairada e deve ser presa e condenada (nisso, aliás, terão toda a razão). Os passageiros indignados que agrediram os funcionários das companhias aéreas e quebraram os balcões estão agindo legitimamente, lutando pelos seus direitos.
É claro que as duas situações são diferentes. Mas não tanto quanto parece.
quarta-feira, 1 de novembro de 2006
Catarro verde
software é aquilo
que você xinga,
hardware é aquilo
que você chuta." (do Catarro Verde)
ATUALIZAÇÃO: Agora, com a tecnologia da virtualização de micros, esta lição não serve mais.
terça-feira, 31 de outubro de 2006
Propaganda
Melhores:
- Havaianas: aquela do "Posso dar uma desviradinha?".
- As do IESB: tem várias. A melhor é o mané na frente do gol vazio, tentando fazer um gol bonito e errando tudo. Cai no chão, pisa na bola, fura, chuta pra fora. É constrangedor. Depois vem a chamada: "Nem todo mundo vai ser craque de futebol. Faça IESB." Tem a da bandinha de rock mandando mal. Tem as meninas tentando ser modelos. São todas ótimas.
- Petrobrás: aparece a vista mais linda de mar, e o texto vai dando opções de investimento. No final, aparece a plataforma da Petrobrás. Dá uma vontade louca de ir pra praia. Ai que saudade.
- Ford Ranger: o cara sai dirigindo e é barrado pelo peão da fazenda, na porteira. "Tudo bom?", pergunta o patrão. E o peão: "Bão bão não tá não." Só essa frase vale o comercial. Só senti falta da tomada que faltou, ou seja, a Ford passando pra cidade, mesmo sem ponte.
Piores:
- Antartica: aquela chatíssima do Bar da Boa.
- Kaiser: a loira não para de falar um segundo, no mesmo tom de voz, sem expressão, e no final dá um beijo pouco convincente no baixinho da Kaiser.
- Produtos da Unilever: tem várias, todas são chatas. Tem uma que minha esposa chorou, não sei se de emoção ou desgosto.
- Sol: uma cerveja nova que apareceu aí. Tem um monte de bolas voadoras, sem sentido claro. Não seria tão ruim se não fosse tão longa. Outra chata que tem bolas voadoras também é a da Claro.
A propaganda na TV aberta já teve dias melhores. Mas já teve, com certeza, dias muitíssimo piores. Agora que acabou a propaganda política, vamos ver se o tempo é preenchido de maneira interessante. Quem lembrar de outra, diz aí.
E não, não tenho mais o que fazer.
ATUALIZAÇÃO: Como é que fui me esquecer daquela ótima da Semp-Toshiba, dos 50 meses de garantia?!
segunda-feira, 30 de outubro de 2006
De novo
Bom, mas quem se enganou feio foi o jornal espanhol El Mundo. Em sua edição online, eles fizeram uma matéria sobre a reeleição de Lula cheia de preconceitos e nenhum embasamento.
O pior é a matéria que tem lá sobre os dois candidatos. Lula é o pai dos pobres. O Brasil é pobre e atrasado, então vota no Lula, sem ligar para a corrupção. Alckmin é honesto. Católico. Bom administrador. Tem a preferência dos brasileiros sérios, conservadores. Sim, está tudo isso lá, leia. Mas leia mesmo. E preste atenção à definição de "chuchu" deles. É um bom indício do nível de embasamento das reportagens. Vai lá, vai.
sexta-feira, 27 de outubro de 2006
O óbvio ululante
quinta-feira, 26 de outubro de 2006
De cama

Há, aliás, uma bela crônica de Rubem Braga sobre isso. Não que eu goste das crônicas de Rubem Braga, mas essa é até boa. Aqui, ó (perdoem-se os vários erros de digitação do site e as questões idiotas de interpretação).
Outra novidade é que aprendi a conferir quais pesquisas no Google conduziram pessoas a este blogue, e morri de rir. Há pesquisas do tipo "Como lidar com o ciúme da sogra" ou "Como ser um professor satisfeito". Como meu blogue não oferece respostas a esssa perguntas — até agora —, passo a postar respostas (im)possíveis aqui. Então:
1) Como ser um professor satisfeito?
Professor satisfeito, no Brasil? Huahuahauhauhaua. Só há duas maneiras: mudar de profissão, como eu fiz, ou mudar de país.
2) Como lidar com o ciúme da sogra?
A melhor maneira é construir uma relação saudável desde o início, sem enfrentamentos, mas deixando claro que a vida de vocês como casal é mais importante, a partir de agora, que as relações entre pais e filhos. Não deixar que a opinião (e o dinheiro) dos sogros interfiram demais nas decisões do casal é importante. Não se deve criar atritos nem ficar disputando espaço.
Pronto. Agora este é um blogue de autoajuda. Argh, o que a televisão fez comigo? Ou terão sido os remédios?
terça-feira, 17 de outubro de 2006
Uma metáfora
Nisso o sinal abriu. Percorridos poucos metros, o pessoal do carro branco da frente, após colar os adesivos no peito, jogou os papéis que sobraram pela janela. Tive vontade de buzinar. Se tem uma coisa que me dá raiva na vida é ver gente jogar lixo na rua. Mais do que quem fura fila ou bate uma carteira. Já comprei briga na rua por causa disso. Uma vez estava num ponto de ônibus e um sujeito duas vezes maior que eu terminou de tomar seu refrigerante e jogou a lata no chão. Eu, vermelho, dei duas cutucadas nas costas dele e, quando o mala se virou, esbravejei "Tem uma lata de lixo bem ali, porra!". Ele ficou meio atordoado e, quando esboçou um movimento (não sei se para apanhar a lata no chão ou para voar em cima de mim), entrei no primeiro ônibus que abriu a porta. Ok, sou um covarde. Mas falei o que devia falar ao sujeito.
Mas voltando ao episódio de ontem. Pensei em buzinar e chamar de porco. Mas então percebi que o que tinha acabado de acontecer era uma metáfora. Não uma metáfora dos petistas. Nem dos mato-grossenses. Já vi todo o tipo de gente jogar lixo no chão. Amigos meus, bem-educados, de boas famílias, jogam lixo na rua. Já me apaixonei por meninas que jogavam lixo na rua. As ruas vivem cheias de lixo, o que comprova que quase todo mundo joga lixo na rua. Impunemente. Há poucos dias vi uma mulher, numa camionete de luxo, jogando uma bola de papel, não só na rua, mas tentando acertar o motorista de outro carro, provavelmente por alguma fechada anterior. No vidro de trás da camionete havia um decalque do PSDB.
Aquela cena de ontem, então, era uma metáfora do brasileiro. O brasileiro é um povo que vota no Lula (ou no Alckmin ou em qualquer um deles) depois joga lixo na rua. Reclama de corrupção no governo e joga lixo na rua. Enche o peito de adesivos, com esperança de dias melhores, depois joga lixo na rua.
Aí, meus caros, não adianta nada. Diz o ditado que cada povo tem o governo que merece. Um povo que joga lixo na rua merece políticos sujos.
Bom, por falar em sujeira, leiam este ótimo texto do Mauro Santayana no JB.
segunda-feira, 9 de outubro de 2006
Do PPS para o além.
Denise Frossard, candidata do PPS ao governo do Rio, comentando o debate de ontem.
Hã? Hã? Entendeu?
Picadinho de Chuchu
Não gostei do governo do PT, e já disse outras vezes que não gosto do Lula. Mas tenho esperança de que os erros cometidos nesses quase quatro anos servirão para que, num segundo mandato, o PT possa fazer um trabalho melhor. Sim, é só uma esperança. Mas prefiro ser otimista a ser burro.
Bom, na verdade só queria dar um linque para o suposto blogue do Chuchu. Engraçadíssimo: http://www.gerentechuchu.blogspot.com/
Até!
quarta-feira, 4 de outubro de 2006
Segundo turno
Estou falando coisas desconexas. Assistir à propaganda eleitoral fritou meus neurônios. Até o fim do segundo turno serei incapaz de elaborar uma frase inteira. Li o livro Duas vezes junho, que o Clube de Leituras do Idelber analisou, e não entendi o final. Só depois de ler as análises que eles tinham feito, aí é que fui reler e entendi. Quer dizer, acho que entendi. Ainda não entendi o título do último capítulo, mas fiquei constrangido de perguntar. Esse pessoal é inteligente. Eles não devem ter assistido ao horário eleitoral.